APOSENTADOS NOVAMENTE PRETERIDOS

6 11 2009

 

 

Na expectativa da apreciação da emenda do senador Paulo Paim (PT/RS) ao Projeto de Lei nº 01/2007, proposta para garantir aos beneficiários da Previdência Social reajuste igual ao do salário mínimo, aposentados de todo Brasil lotaram o Plenário da Câmara dos Deputados nesta última quarta-feira, mas a esperança foi ceifada por manobra do governo: houve adiamento da votação com o pedido de prazo para parecer do relator de Medida Provisória, bloqueando assim a pauta. Além de evitar a pressão popular, o objetivo do governo é manter achatados os benefícios, com fórmula fabulosa atrelando o reajuste ao crescimento do PIB, vinculada a falácia do rombo nos cofres.

 

Sob o argumento de não prejudicar o salário mínimo, com o apoio das centrais sindicais fiéis, o governo pretende reajustar os benefícios com base na inflação acumulada, mais metade do crescimento do PIB de dois anos antes, pela manobra, aposentadorias e pensões seriam reajustados em 2,55% acima a inflação, enquanto o salário mínimo está projetado em 4,4%, ou seja, mantém-se à mingua o valor real dos rendimentos, acumulando 46% de defasagem desde 1995, quando no governo FHC houve a desvinculação.

 

O impacto do reajuste pelo mesmo índice do salário mínimo impactaria em R$ 6,8 bilhões, segundo o Ministério da Previdência, enquanto a estimativa de Renúncias Previdenciárias, aprovadas na Lei Orçamentária Anual de 2009, estão na ordem de mais de R$ 17 bilhões, isto é, faz-se política fiscal com o dinheiro que deveria ir para o pagamento de benefícios, graças à DRU – Desvinculação das Receitas da União.

 

Cerca de 8,6 milhões de beneficiários fariam jus ao reajuste, impactando na vida de mais de 25 milhões de brasileiros, sem contar no retorno destes recursos na economia do país, no entanto, preterem-se estes para, por exemplo promover o superávit primário para pagamento dos juros da “dívida”, somando R$ 18,9 bilhões apenas até setembro.

 

As senhoras e senhores presentes no Planalto, bem como os que aguardavam ansiosos um desfecho feliz não foram apenas desiludidos, estes tralhadores e trabalhadoras que dedicaram boa parte da sua vida para construir a nação são preteridos das prioridades do Estado Brasileiro. Aos jovens as perspectivas não são otimistas, será necessária muita galhardia para salvar a Previdência Pública Brasileira da manipulação dos governos.

 

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